ESPAÇO MEMÓRIA | Fundos Arquivísticos

Apresentação

Apresentação

Documento do mês | outubro de 2017
 
História de uma fotografia, contada noutra fotografia

Em outubro, o Documento do Mês é a ‘história’ de uma fotografia, que pode ser contada através de uma outra.
Passamos a explicar: no cruzamento de informação com outras instituições que guardam memórias e documentos privados doados, no caso concreto, o projeto MOSCA (Movimento Social Crítico e Alternativo) – do Arquivo Histórico Social da Universidade de Évora, verificou-se a existência de documentação fotográfica relativa a Miguel Correia, anarco-sindicalista ativo no Barreiro nas décadas de 1920 e 1930, dirigente sindical ferroviário e diretor do jornal o Sul e Sueste no Barreiro. 

São raras as imagens de tão ativo interveniente político, preso e deportado depois do golpe militar de 28 de Maio.

Esta documentação pertencente ao espólio de Mário dos Santos Castelhano, incluía duas fotografias com Miguel Correia, datadas de 1925, sentado no seu gabinete no antigo Sindicato dos Ferroviários no Barreiro. Foi nessas fotografias (aqui publicamos uma delas, com a devida autorização), que verificámos estar por detrás de Miguel Correia, em lugar de destaque no seu gabinete, uma moldura com outra fotografia. 

O Espaço Memória do Barreiro, na valência do Arquivo Municipal tem o original dessa fotografia guardada e faz parte do espólio do Sindicato dos Ferroviários do Sul recuperado das suas antigas instalações. É uma imagem do Congresso Ferroviário Português realizado na Sociedade de Geografia em 1920 onde surge Miguel Correia a discursar. 

Descobrimos, agora, onde esteve originalmente.

Mais uma vez fica demonstrada a importância que encerra o facto de a documentação antiga, que se encontra guardada por cidadãos, ser doada ou cedida a instituições públicas ou privadas, empenhadas na salvaguarda de arquivos pessoais (neste caso, o de Mário Amadeu Duarte Castelhano). Neste caso, esta descoberta, e o favorável relacionamento entre instituições, permitiram-nos ajudar a preencher a peça final de um ‘puzzle’.


Documento do mês | setembro de 2017

Hospital Distrital do Barreiro, 17/09/1985

A 17 de setembro de 1985 foram internados os primeiros doentes no novo Hospital Distrital do Barreiro, mas a história desta instituição remonta a 5 de outubro de 1945, data em que há registos da inauguração de uma enfermaria com seis camas, a juntar a três já existentes no Hospital da Misericórdia. 

Em 1946, a Lei nº2011 veio determinar para o Barreiro “um hospital sub-regional”, o Hospital de Nossa Senhora do Rosário, dirigido pela Santa Casa da Misericórdia, que funcionou até à abertura do Hospital Distrital do Barreiro. Ainda em 1976, por despacho do Subsecretário de Estado das Obras Públicas, foi aprovado o terreno para a construção de um novo hospital, o qual entrou em funcionamento a 17 de setembro de 1985, com a designação de Hospital Distrital do Barreiro. 

Em setembro de 1995 a sua designação foi alterada para “Hospital Nossa Senhora do Rosário – Barreiro”, por despacho do Ministro da Saúde. 

A partir de 2005, “este foi transformado numa instituição pública empresarial, passando a ser designada de Hospital de Nossa Senhora do Rosário, E.P.E. (HNSR E.P.E.). 

E é desde novembro de 2009 que o HNSR E.P.E integra o Centro Hospitalar Barreiro Montijo. Com uma área de influência que abrange os concelhos do Barreiro, Moita, Montijo e Alcochete, serve uma população de mais de 213 mil habitantes, de acordo com o Censo de 2011.  



Documento do mês | agosto de 2017
Festas do Barreiro, setembro 1978

O ‘Documento do Mês’ em agosto é um cartaz de 1978, alusivo às Festas do Barreiro. Escolhemo-lo por representar um período da nossa história em que houve uma rotura relativamente à data em que, por tradição, as Festas eram realizadas. Refira-se que há notícias da realização das Festas em Honra de Nossa Senhora do Rosário desde 1780 e que, durante séculos, estas foram marcadas por uma forte tradição religiosa. Razão pela qual decorriam em agosto, integrando na sua programação o feriado religioso da ‘Assunção de Nossa Senhora ao céu’ celebrada anualmente no dia 15 de agosto. 
Verificamos, pois, que após o 25 de Abril, a separação da vertente religiosa das festas levou a que estas fossem realizadas em setembro/outubro e que, inclusivamente passassem a designar-se por ‘Festas do Barreiro’. 

Neste caso, ilustrado pela imagem que agora divulgamos, as Festas do Barreiro tinham cariz regional e estavam associadas a temas específicos. Em 1978 o tema era “Barreiro-Resistência, Trabalho e Luta”, exemplarmente retratado pela ‘mão’ do artista barreirense Eugénio Silva.
 
Eugénio Silva nasceu no Barreiro em 1937. E desde cedo manifestou aptidão para as artes, o que o levou a frequentar a Escola António Arroio. Entre 1950 e 1954 trabalhou na Litografia Amorim e, posteriormente ingressou na CUF, onde desempenhou várias funções, entre elas de desenhador de carpetes. Reconhecido pela execução, quer do desenho, quer da pintura em Aguarela, o artista possui um vasto currículo artístico. 
Fundo Câmara Municipal do Barreiro


Documento do mês | julho de 2017
Bandeira do Município do Barreiro, 21 de julho 1940

Em julho publicamos a imagem da primeira bandeira do Município do Barreiro, hasteada pela primeira vez em 21 de julho de 1940, no edifício dos Paços do Concelho, no âmbito das comemorações do Duplo Centenário de Portugal, em 1940. 

A necessidade que a Vila do Barreiro tinha em se fazer reconhecer e representar em solenidades oficiais por um brasão próprio, bandeira e estandarte, surge-nos pela primeira vez expressa em sessão camarária de 26 de novembro de 1929. Neste sentido, foi Afonso de Dornelas, figura incontornável da heráldica portuguesa, o responsável pelos elementos que vieram a configurar no Brasão do concelho, que viria a ser aprovado oficialmente pela Portaria nº9496 de 2 de abril de 1940.  

Também em ofício de 13 de março de 1940, enviado pelo então Presidente da Câmara, Joaquim José Fernandes, ao Governador Civil de Setúbal, é expresso: “Rogo a V.Ex.ª a subida fineza de solicitar urgência na resolução deste assunto em virtude de haver necessidade de mandar confecionar bandeira para figurar nas Comemorações Centenárias”. 
Deste processo resultou a bandeira que hoje divulgamos, e que representou o Município até 1984, aquando a elevação da Vila do Barreiro a cidade.  
Fundo Câmara Municipal do Barreiro



Documento do mês | junho de 2017
Mestre Malangatana, 6 de junho de 1936

No mês de junho relembramos o nascimento do Mestre Malangatana, artista moçambicano de prestígio, que deixou no centro do Barreiro, a marca da sua vida e obra, o que honrou o Município e os barreirenses. Na cidade do Barreiro criou e deixou uma escultura colocada na Praça da Amizade constituída por 12 painéis em mármore branco inaugurado em 14 de setembro de 2009, junto à entrada norte do Forum do Barreiro. 
Também em junho, mas do ano de 2001, Malangatana esteve presente no Dia Mundial da Criança do Parque da Cidade na «Expoeduca» que viria a tornar-se na conhecida «Feira Pedagógica», passados poucos anos.
Nesse dia, Malangatana participou  num ateliê de pintura com crianças, onde pintou um quadro, observado de perto, pelo então, presidente da Câmara Municipal do Barreiro Pedro Canário e pelo Vice-presidente Carlos Maurício.
Malangatana Valente Ngwenya nasceu em Matalana, Moçambique a 6 de junho de 1936. Concluída a 3ª classe rudimentar na escola de Búlazi, seguiu para Lourenço Marques, onde enveredou por uma carreira artística profissional. Frequentador do Núcleo de Arte de Lourenço Marques, estabelece contactos com os artistas locais da época, aproveitando para divulgar os seus trabalhos. Em 1961 organiza a sua primeira exposição.   
A partir de então, foram vários os diplomas, medalhas, prémios, bolsas e condecorações recebidos pelo artista, entre os quais destacamos a bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian para se especializar em gravura, na Gravura Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses e em cerâmica na Fábrica Viúva Lamego, o Prémio Príncipe Klaus, da Dinamarca, e ainda o título de Comendador das Artes e Letras, de França, entre outros. 
Apelidado de “Artista para a Paz”, a sua vida e obra têm protagonizado a realização de vários filmes e documentários por todo o mundo.  
Malangatana morreu em Matosinhos a 5 de janeiro de 2011.
Fundo Câmara Municipal do Barreiro


Documento do mês | maio de 2017
Primeiro registo oficial das comemorações do 1º de Maio no Barreiro 

O Espaço Memória, na sua valência de Arquivo Municipal guarda aquele que é o documento oficial mais antigo com referência às comemorações do 1º de Maio no Barreiro.
Está registado no «Livro dos Termos de Fiança e Responsabilidade» com a cota ACB/A/A/01/Lv.01 e data de 30 de abril de 1897.

Tinha sido a 20 de junho de 1889, que a segunda Internacional Socialista, reunida em Paris, decidira convocar anualmente uma manifestação com o objetivo de lutar pelas 8 horas de trabalho diário, em homenagem à repressão sofrida pelos grevistas de Chicago em 1886.

Segundo o citado documento Vicente António Bazarte, corticeiro e morador no Barreiro, pedia autorização à administração do concelho do Barreiro «na qualidade de membro da comissão dos festejos cívicos que projetam festejar nesta vila no dia primeiro de Maio com um cortejo e um comício operário na quinta do Nicola que tem por fim comemorar este dia operário e tratar somente de defender os interesses de todo o operariado».
A autorização foi concedida na condição de que não se praticasse «qualquer facto atentatório da ordem pública ou se proferissem palavras que recaiam sobre a lei penal».

Os festejos do 1º de Maio, a partir desta data, não mais deixaram de ser comemorados no Barreiro, e mesmo a sua proibição, durante a ditadura do Estado Novo, não impediu que barreirenses lembrassem essa data publicamente, colocando em risco a sua liberdade.


Documento do mês | abril de 2017
25 de Abril foi há 43 anos

Tal como muitos portugueses que quiseram ‘respirar’ a Liberdade da revolução que estava na rua, Veloso Amaral quis ver com os seus olhos o que se passava em Lisboa nesse dia 25 de Abril de 1974. As suas fotografias, a cores e a preto e branco, são um registo histórico do final de uma ditadura e de um novo começo. 
Veloso do Amaral conseguiu deslocar-se entre as tropas revoltosas e obter as suas fotografias em locais privilegiados através de uma carteira de jornalista, como correspondente de uma revista norte-americana, neste caso, curiosamente de automobilismo (atividade a que ainda hoje se dedica).

A imagem que partilhamos como ‘documento do mês’ em abril, faz parte de um conjunto de 73 outras cedidas por Veloso Amaral, ao Espaço Memória, em 2012. Nela vemos o capitão Salgueiro Maia a dirigir-se, através de um megafone, aos sitiados no quartel do Carmo, entre os quais, o presidente do conselho Marcelo Caetano, exigindo rendição.
Os originais destas imagens continuam com o autor, mas este autorizou a cópia e divulgação das mesmas pelo Município do Barreiro. 
Tal como Veloso Amaral partilhou connosco as suas imagens, se porventura, tiver guardadas imagens ou recordações desse dia, partilhe-as também.

Contacte-nos através dos telefones 21 206 81 85/87 ou visite-nos na Rua 17, nº 10, no Parque Empresarial do Barreiro.


Documento do mês | março de 2017
Maria de Lourdes Resende

Em março destacamos uma figura incontornável da vida artística barreirense, Maria de Lourdes Resende Dias Vidal, cançonetista, nascida no Barreiro a 29 de janeiro de 1927.
Maria de Lourdes Resende começou a cantar com o seu pai, Augusto dos Santos Resende, na Igreja Matriz de Santa Cruz do Barreiro. 
Revelou-se, desde muito nova, possuidora de um timbre de voz singular, e começou cedo a cantar no “Conjunto S:I:R:B dos Penicheiros”, onde se afirmou como intérprete da canção. 
Estreou-se na “Rádio Graça” e em 1945 entrou para a Emissora Nacional, onde se tornou cançonetista profissional, chegando em 1955, a conquistar o título de “Rainha da Rádio Portuguesa”. 
Da sua brilhante carreira artística destacamos o 1º Prémio de Cançonetista da Emissora Nacional que ganhou em 1948 e, em 1950, foi a 1ª artista portuguesa a atuar na televisão francesa. Em 1955 representa Portugal no Festival da Canção Latina, em Génova, alcançando o 1º prémio com a canção “Alcobaça”.
Em 1956 foi uma das primeiras cançonetistas a participar em programas de ‘Variedades’, ainda no período experimental da R.T.P, tendo também integrado a festa de inauguração das emissões em 7 de março de 1957.  
Já nos anos 60 participa no Festival Internacional da Canção, em Toronto, interpretando canções em Italiano, onde foi distinguida em 1966, com o 1º e 2º prémios de interpretação e, em 1967, com o 1º prémio de interpretação.   
Fundo: CMB / Espaço Memória


Documento do mês | fevereiro de 2017
O Ciclone de 15 de fevereiro de 1941

Há 76 anos, no dia 15 de fevereiro de 1941, Portugal foi assolado por um violento ciclone que deixou um acentuado rasto de destruição por todo o país, além de um elevado número de mortes, feridos e desaparecidos. 
Também no Barreiro os estragos causados pela sua passagem foram fortemente sentidos, como é visível na fotografia que acompanha esta publicação. A esta imagem, soma-se o testemunho deixado pelo barreirense José António Marques, que descreveu ao pormenor, nos seus diários, as consequências desta catástrofe. 
Refira-se que os diários deste barreirense foram doados ao Município do Barreiro em 23 de abril de 1981.

 15 Fevereiro de 1941 (Pág.319)
«Trab[alhei] 6,35 às 18,10 no Barº[reiro] Terra. Saí às 6h. Regresso à vila entro na barbª[earia] V. este barb[eou]-me à luz do candeeiro a petróleo entro na S. [ociedade] Instrução, também era iluminação a petróleo, pelo motivo do ciclone, entrando eu em casa ás 20,10 e não saí. O [ciclone] assolou todo o país, Barreiro principiou às 10h. foi fortíssimo das 11h. às 13h. vindo do Sudoeste e depois mais forte das 15,30 às 17h. vindo do Noroeste, sendo superior» 
[na página 319V]
«…foram derrubadas mais 200 chaminés, foram poucos os edifícios que não sofreram telhas fora, as águas do Tejo, açoitadas pela ventania (ciclone) galgaram a Muralha da praia do Norte da vila, no Largo Alexandre Herculano as “Obras” atingiu [atingiram] 1m,090, invadiu todas as casas, com dificuldade conseguiram os habitantes do referido Largo a partir da Rua Aguiar e Largo G. Coutinho e S. Cabral, salvar os seus haveres, os Bombeiros Corpo S. Pública, C. F. S. Sueste – Corpo da C. U. Fabril, acorreram - denodadamente – a todos os locais, onde a sua ação era reclamada, as fábricas paralisaram os seus serviços pouco antes das 15h.,  entre elas [a] CUF, os camarotes, bancadas do FC Barreirense foram pelos ares, assim como telhados da CUF, Cordoaria do Sr. Jacinto Nicola Covacich, esta ficou destruída por completo, ficou destruída a estação de embarque e a Avenida Marginal que dá acesso, avariados os vapores do Alentejo, Trás-os-Montes, Algarve. Estes 2 no fundo e o último partido […], à noite não houve iluminação [no] Barº.» 

Nota: Com o “Ciclone” caio [caiu] a Cruz da Igreja, S. Cruz do Barreiro.
Fundo: CMB / Espaço Memória



Documento do mês | janeiro de 2017
70º Aniversário da escola Alfredo da Silva

O documento do mês ilustra a inauguração da escola industrial Alfredo da Silva realizada a 12 de Janeiro de 1947, ou seja, há 70 anos.
Desde longa data que a população da vila e concelho do Barreiro, terra essencialmente industrial, aspirava à criação de uma escola de ensino técnico elementar, que permitisse aos jovens do concelho, após a conclusão do ensino primário, adquirirem os conhecimentos técnicos que as habilitassem a poderem ser bons operários e conhecedores de ofícios.
Em 1945 inscreveram-se, em Lisboa, 300 alunos do Barreiro nas suas escolas industriais e comerciais. Eram então os jovens obrigados a partir no vapor da 6.50 da manhã, para regressarem ao Barreiro pelas 17.30. Por seu turno, os operários que pretendessem adquirir conhecimentos no horário noturno sairiam do seu trabalho à pressa pelas 17.00 horas, para apanhar o barco das 17.25 voltando apenas no barco que chegava às 2.00 horas da manhã, para depois entrarem no trabalho às 8.00.
Foi a Câmara Municipal do Barreiro, presidida por Joaquim José Fernandes, que propôs a construção da escola num edifício que lhe pertencia e onde outrora existira a Praça de Touros do Barreiro, uma antiga fábrica de cortiça e onde chegou a funcionar a Sopa dos Pobres do Barreiro.
O Barreiro industrial da década de 40 do século XX era, já então, uma cidade em potência, razão pela qual a imprensa da época deu grande destaque e publicidade à necessidade de construção desta escola.
Durante o período de aprovação do projeto final para a escola, em 1946, o Ministério da Educação já previa uma frequência superior a 1000 alunos, distribuídos pelo ensino de formação (diurno) e de aperfeiçoamento (feito à tarde ou à noite). No entanto a adaptação da antiga fábrica em escola permitiria apenas, a inscrição de 500 alunos por ano, tendo as pré-matrículas sido iniciadas logo em 1946.
Na inauguração estiveram presentes além de ministros e membros de Governo, a viúva de Alfredo da Silva, D. Maria Cristina e a sua filha, D. Amélia da Silva de Mello, que agradeceram a atribuição do nome do industrial como forma de preservar a sua memória.
Contudo e devido ao grande número de alunos inscritos, estas instalações depressa se tornaram insuficientes tendo a Câmara Municipal do Barreiro vendido os terrenos a Oeste, onde em 1956 foram construídas novas salas, um ginásio, dependências do diretor e secretarias, refeitório, cozinha, biblioteca e laboratórios. A entrada principal da escola passou a ser feita por este edifício, tendo no mesmo ano, a escola industrial de 1947 sido demolida e construído um novo bloco de salas.

 

Documento do Mês | dezembro 2016
30 anos de Praça Zamenhof - Homenagem ao Esperanto

Em edital de 19 de Dezembro de 1981 era atribuído o nome de praceta Zamenhof  (criador do Esperanto) ao «(...) espaço interior da Urbanização dos «Cantinhos» abrangendo os números de polícia 1,2 e 3 a atribuir aos edifícios que confrontam com o referido espaço a Norte».

Biografia: Lázaro Luiz Zamenhof (Ludwig Lazar Zamenhof) (1859-1917) nasceu em Bialystok, pertencente ao antigo império russo, hoje Polónia, no dia 15 de dezembro de 1859. Na Polónia falavam-se cerca de duzentas línguas diferentes. Só na pequena Bialystok existiam quatro línguas oficiais: o Russo, o Alemão, o Polaco e o Ídiche.

A 26 de julho de 1887 era publicado o seu primeiro livro sobre uma nova língua universal.Era uma gramática com as instruções em russo e chamava-se "Lingvo Internacia", de autoria de "Doktoro Esperanto". Com o decorrer do tempo, o pseudónimo passou a ser usado por seus aprendizes, para denominar a própria língua: "Esperanto".

A 12 de Abril de 1987 foi inaugurado um monumento em memória de Zamenhof aquando das comemorações do centenário do Esperanto.

Ficha técnica do monumento:

Autor: Elemento em betão projetado pelo escultor Pedro Miranda da Silva e medalhão em Bronze da autoria de Armindo Viseu.

Assunto: «Monumento a Luís Lazaro Zamenhof»

Data: 12/04/1987

Descrição formal da obra: A obra é constituída por dois prismas triangulares com diferentes alturas. O elemento mais próximo do espetador tem 150 cm de altura e funciona como uma base onde assenta a placa com as inscrições relativas ao monumento e um medalhão em bronze com o retrato do homenageado da autoria de Armindo Viseu. O elemento posterior, é um prisma triangular seccionado no topo, evidenciado um elemento triangular, que representa as três línguas que lhe serviram de base criadora: as românicas, germânicas e eslavas. É um monumento simples e sóbrio e possui uma escala que se adequa perfeitamente à praceta.

Dimensão: O conjunto dos dois elementos que compõem o monumento ocupa uma área de 420 x 100 x 300 cm.

Materiais: Escultura em betão e medalhão em Bronze.

Localização: Praceta Zamenhof


Documento do Mês | novembro 2016
Irmãos Resende:
Fotógrafos do Barreiro do início do séc. XX

Para novembro, mês alusivo à fotografia, publicamos uma fotografia da Av. Miguel Bombarda, da autoria dos fotógrafos barreirenses, João e Artur Resende, datada de 1923.

João Resende nasceu em Ovar, em 1883. Com cerca de 20 anos veio para o Barreiro, para junto do seu pai que trabalhava na construção de aprestos navais de madeira, homem localmente conhecido pelo mobiliário de excelente qualidade artística que produzia. Foi dele que herdou a veio artística de pintor e artesão.

João Resende iniciou a sua carreira de fotógrafo em 1903, segundo uma fotografia existente dessa data, intitulando-se «fotógrapho amador», e construiu uma casa de fotografia na Rua Heliodoro Salgado. Nessa época, a fotografia era entendida como uma arte ou uma forma de pintura, o que levou João Resende a colaborar com empresas teatrais do Barreiro e casas de espetáculos, na pintura de cenários e de telas. Alguns dos seus quadros chegaram aos dias de hoje através da sua família.

Nos anos 20, a João Resende junta-se Artur Resende, que rapidamente desenvolve o gosto pela fotografia. Assim, a casa de fotografia de João Resende, passou a funcionar com os dois irmãos, passando estes a assinarem os seus trabalhos com «Photografia Rezendes».

Em Julho de 1926,  verificou-se uma cisão entre os dois irmãos, e cada um deles fica com o seu estúdio: Artur na Rua Heliodoro Salgado e João na Rua Almirante Reis. Em 1929, Artur Resende inaugura um novo estúdio fotográfico na principal artéria do Barreiro, na Avenida da Bélgica (atual Rua Alfredo da Silva). A 7 de Fevereiro de 1936 faleceu João Resende, com 53 anos de idade, passando a sua mulher a gerir a sua casa comercial. Na década de 40, Artur Resende vende todo o seu material fotográfico e deixa de fotografar.

O período áureo dos irmãos Resende foi, sem dúvida, os anos 20, seguindo-se outros vultos de fotografia de relevo, como o Augusto Cabrita, nascido nas traseiras do então estúdio Resende na Rua Heliodoro Salgado.

Fundo Câmara Municipal do Barreiro/Álbum Resende, 1923


Documento do Mês | outubro 2016

Porque em outubro assinalamos, no Barreiro, o Mês da Música, publicamos como documento do mês uma fotografia da Banda do Grupo Desportivo da CUF, dos anos 60, numa digressão pelo Norte do País.  

Recorde-se que a Banda da CUF foi fundada a 1 de Maio de 1911 por trabalhadores da empresa, com a designação de “Academia Recreativa e Musical do Pessoal da Companhia União Fabril”. Mais tarde foi transformada na “Liga de Instrução e Recreio CUF”, nome que se manteve até à sua integração, em 1941, no Grupo Desportivo da CUF, passando então a designar-se de “Banda do Grupo Desportivo da CUF”. 
Com a extinção da Banda do Grupo Desportivo da CUF, surge a 6 de Outubro de 1972 a Banda de Música do Barreiro, a qual vem dar continuidade à tradição musical do concelho do Barreiro, que remonta a meados do séc. XIX, período em que existiam no concelho cinco bandas filarmónicas.  

O 25 de Abril de 1974 veio dar novo alento à Banda que, com o apoio da Câmara Municipal do Barreiro, respondia ativamente às inúmeras solicitações provenientes de vários pontos do País. No final de 1976, é criada junto à Banda, a Escola para formação de jovens músicos, a qual ainda hoje se mantém nas instalações do Luso Futebol Clube. 
A partir de 28 de Maio de 1987, passou a denominar-se Banda Municipal do Barreiro, assumindo a natureza de associação cultural, funcionando com Estatutos, Regulamento Interno e com protocolo com a Câmara Municipal do Barreiro.

Fundo Câmara Municipal do Barreiro



Documento do Mês | setembro 2016

500 anos da atribuição do Foral a Coina por D. Manuel I

Durante o ano de 2016 serão comemorados os 500 anos da atribuição do Foral a Coina por D. Manuel I, mais concretamente no dia 15 de Fevereiro.
Apesar de hoje esta vila fazer parte do concelho do Barreiro, nem sempre assim foi. Já foi concelho, com o seu pelourinho.
Era também um dos principais portos de ligação entre as duas margens do Tejo, na ligação a Lisboa. Durante séculos o dia-a-dia do seu porto foi caracterizado pela azáfama dos mercadores, comerciantes, passageiros à procura de lugar nos barcos para a capital, os avisos dos mestres das embarcações da partida das barcas através do soar do seu búzio. A vila tinha uma estalagem que era administrada pelas Comendadeiras de Santos, as donatárias do concelho. 

Foi essa história de porto mercantil que foi lembrada com a realização de uma Feira Quinhentista em Coina, no último dia de Setembro e nos dois primeiros dias de outubro, no local do mercado mensal (e local do antigo porto!). Os milhares de visitantes que por lá passaram puderam conhecer um pouco do que foi o dia-a-dia de Coina há 500 anos. 

A Câmara Municipal do Barreiro, através do Espaço Memória, distribuiu gratuitamente um jornalinho destinado aos mais jovens (e não só) com alguns factos sobre a história de Coina. 
Se ainda pretender algum exemplar deste jornalinho, pode entrar em contacto com o Espaço Memória através do email espacomemoria@cm-barreiro.pt


Documento do Mês | agosto 2016

Festas do Barreiro 

Em agosto, e a escassos dias de terem início as Festas do Barreiro 2016, publicamos duas imagens alusivas às Festas em honra de Nossa Senhora do Rosário, a primeira datada de 1910, e outra de 1969. 
Recorde-se que apesar das alterações introduzidas ao longo dos tempos, as Festas do Barreiro foram sempre muito animadas, iniciando com atividades religiosas, como os atos litúrgicos e a procissão, e lúdicas, como arraias, música, fogo-de-artifício, barracas para venda de quinquilharias, comidas e bebidas, e outros.

Datam de 1736 as primeiras festividades realizadas em honra da Nossa Senhora do Rosário. Antes disso, era realizado um Círio todos os anos no mês de outubro, transportando a imagem da Santa, de barco, com partida de Lisboa até à Ermida do Rosarinho ou do Rosairinho, então situada no concelho de Aldeia Galega do Ribatejo. 
Consta que um certo ano, uma valente tempestade assolou o rio durante a romaria, o que obrigou os romeiros a encurtarem a viagem e a desembarcarem na praia do Barreiro. 

Acolhidos pela Irmandade de Nossa Senhora do Rosário do Barreiro tão alegre e jubilamente, levou os romeiros a prometerem realizar as festividades na Ermida que os acolheu, o que aconteceu a partir de 1736. A partir de então a crescente veneração a Nossa Senhora do Rosário, atraiu esmolas para o seu culto de vários pontos do país e do estrangeiro, especialmente do Brasil. Durante o séc. XIX as festividades continuaram, com grandes festejos populares. Com a separação da Igreja do Estado, em 1911, a escassez de esmolas verificadas impediu a efetivação das festas, as quais foram retomadas em 1930. Desde então têm-se mantido até aos nossos dias.   


Espólio José António Marques/Programa de 1910
Fundo Câmara Municipal do Barreiro/Programa de 1969


Documento do Mês | julho 2016

Grupo de banhistas na Praia Norte do Barreiro, [191¬¬¬¬-]

Em julho, e porque estamos em plena época balnear, publicamos uma fotografia memorável de um grupo de banhistas na Praia Norte do Barreio, da 1ª década do século XX.  

Em 1886, assim era descrita «A praia do Barreiro, a mais procurada de quantas existem ao sul do Tejo, podendo rivalizar com muitas das que são reputadas como as melhores do país…» (Armando da Silva Pais, 1963).

Recorde-se que no final do Séc. XIX, a Praia Norte do Barreiro era uma das praias mais concorridas dos arredores de Lisboa. E assim foi até à primeira década do Séc. XX, em que muitas famílias provenientes de Lisboa e do Alentejo, sobretudo depois dos Caminhos-de-ferro serem instalados nesta vila, vinham passar a época balnear para a praia do Barreiro. 
Neste local está hoje a Avenida Bento Gonçalves, popularmente conhecida pela «avenida da Praia». 


Fundo Câmara Municipal do Barreiro/Espólio Olga Costa Mano/91
Autor da fotografia: Mário da Costa Mano



Documento do Mês | junho 2016

Barreiro Cidade, 1984

Publicamos este mês uma fotografia, datada de 14 de julho de 1984, que regista o hastear da bandeira, na primeira comemoração que se realizou no Barreiro, quando se tomou conhecimento da elevação do Barreiro a cidade.

Recorde-se que desde os anos 50/60 que os barreirenses aspiravam a que o Barreiro fosse elevado a cidade, desenvolvendo para isso várias campanhas.

Contudo, foi somente a 16 de maio de 1984, que a Assembleia da República aprovou a elevação da Vila do Barreiro a Cidade. A decisão foi publicada em Diário da República de 28 de junho desse ano, o que constituiu motivo de festa e comemoração por parte dos barreirenses. 

Em sessão de câmara de 17 de outubro de 1984, foi deliberado alterar o dia do Feriado Municipal para o dia 28 de Junho. 

Fundo Câmara Municipal do Barreiro


Documento do Mês | maio 2016

Maio é o mês do trabalhador. A este propósito divulgamos dois livros de registo dos Termos de Juramento e Posse dos Empregados do Concelho do Barreiro: o Livro 3º, relativo aos empregados que exerciam determinados cargos ou empregos no concelho, datado de 1891 a 1939; e o Livro nº1, relativo aos empregados da Câmara Municipal do Barreiro, datado de 1902 a 1927.

Livro 3º

Termos de Juramento e Posses, 1891/1939

“Hade servir este livro para se lavrar os termos de juramento aos diferentes empregados, esersem cargos ou empregos neste concelho”.

Barreiro, 2 de Janeiro de 1891

O Administrador do Concelho

José Pedro Maria da Costa


Livro nº1

Juramentos e posses aos Empregados da Camara Municipal do Barreiro, 1902/1927 

“Hade servir este livro para se lavrarem os termos de juramento e posse dos empregados da Camara Municipal deste Concelho”.

Barreiro 2 de Janeiro de 1902

O presidente da Camara

João Dias Correa Pimenta

Fundo: Câmara Municipal do Barreiro

Estes e outros documentos integram o Fundo Documental da Câmara Municipal do Barreiro, atualmente à guarda do Espaço Memória, onde podem ser consultados.


Documento do Mês |  abril 2016

Processo de Passaporte Turístico

Para o mês de Abril publicamos dois documentos que fazem parte de um processo de pedido de passaporte de turismo, a saber: um ofício da Câmara Municipal do Barreiro enviado ao Comandante do Destacamento da Guarda Nacional Republicana do Barreiro, a solicitar informações específicas sobre o requerente do passaporte, datado de 5 de Agosto de 1969, e um ofício desta entidade enviado ao município a dar as informações solicitadas, datado de 9 de Agosto de 1969.

Recorde-se que durante a ditadura salazarista, a atribuição de passaporte a quem pretendesse ausentar-se do país, antevia a recolha de informações confidenciais sobre o requerente, às entidades locais, relativamente à sua idoneidade, comportamento moral e político e capacidade financeira, para a realização da respetiva viagem.

Estes são documentos de identificação de cidadãos barreirenses que constituem fontes de informação essenciais para a história da genealogia, assim como para a história da migração das populações. 

Fundo: Câmara Municipal do Barreiro 


Documento do Mês | março 2016
Raquel Maria (Atriz)

Sendo Março o Mês do Teatro, destacamos dois documentos relativos à atriz Raquel Maria. Não só porque foi no Barreiro que se estreou no teatro nos anos 60 mas, também, porque deixou na memória dos barreirenses brilhantes desempenhos em peças como “A Ratoeira”, “Do Céu Caíram três Anjos”, e “A Forja”. 

Assim, divulgamos uma fotografia de Raquel Maria a contracenar com o ator Filipe Cardoso, ambos do Grupo Cénico do Grupo Desportivo da CUF, laudeados com o 2º prémio de Interpretação na peça “A Ratoeira”, no âmbito do Concurso de Arte Dramática promovido pelo S.N.I., em 1965, bem como o Diploma da atriz, atribuído pelo Grupo Desportivo da CUF, pela sua participação no Festival de Teatro Amador, por ocasião das comemorações do 1º Centenário da CUF, de 8 de julho de 1965.  

Raquel Maria dos Santos nasceu em Castro Verde, no Alentejo, tendo vindo com três anos para o Barreiro, onde se manteve durante 30 anos. 
Embora tenha iniciado a sua carreira no Teatro Amador no Grupo Desportivo da CUF, foi no Clube 22 de Novembro que fez um percurso de 6 anos, tendo em 1973 ingressado, como atriz profissional, no Teatro da Cornucópia, onde se manteve por 16 anos. Seguiu-se o Teatro da Malaposta (apoiado por várias autarquias), e um grande número de trabalhos para televisão e cinema. 
Além de atriz, Raquel Maria desenvolveu também a arte da serigrafia, chegando em 1972, a expor os seus trabalhos em duas coletividades do Barreiro, nos “Franceses” e no Clube 22 de Novembro. 
Como atriz profissional, Raquel Maria recebeu diversos prémios atribuídos pelos críticos, entre eles, em 1982, o prémio Nova Gente com a interpretação na peça ”Não de Paga! Não se Paga”, em 1984, recebeu a Medalha da Associação de Críticos, e em 1986, o Prémio de Interpretação Feminina, pelo seu desempenho na peça “A Páscoa”. 
  
FCMB/ERM: Fundo Câmara Municipal do Barreiro/Espólio Raquel Maria


Documento do mês | fevereiro 2016
Processo de presos políticos, 1935

Em fevereiro apresentamos dois documentos que integram um dos muitos processos de presos políticos produzido pelo Tribunal Militar Especial durante a ditadura, na sequência das prisões de indivíduos do Barreiro, efetivadas pela PVDE, durante o ano de 1935.
Sobre esta temática existem inúmeros processos, resultantes de perseguições e prisões a barreirenses que se manifestavam, das mais diversas formas, contra o regime salazarista, fosse através de propaganda revolucionária, fosse pela utilização de símbolos como, por exemplo, bandeiras. 
Estes homens eram, muitas vezes, “exageradamente apelidados de extremistas”. 

A propósito desta temática, recorde-se, será inaugurada no Espaço Memória, a 28 deste mês (domingo) uma exposição intitulada “O Regresso das Bandeiras”. 
Esta iniciativa visa destacar a forma como homens e mulheres protagonizaram uma jornada de agitação e luta que hoje se assume como um momento icónico da história do Barreiro do século XX, da resistência ao 'Estado Novo' e da luta pela Liberdade e pela Paz.

Fundo: Câmara Municipal do Barreiro (Processo cedido pela Torre do Tombo) 


Documento do mês | janeiro 2016
A Biblioteca Municipal do Barreiro comemora a 6 de janeiro o seu aniversário, tendo entrado em funcionamento, nesse dia, no ano de 1964.
O desejo por parte dos barreirenses de ter uma biblioteca municipal era antigo. Para colmatar essa falta as coletividades e associações do Barreiro tinham há muito instalado bibliotecas nas suas sedes.
A proposta para a abertura de uma Biblioteca Municipal no Barreiro foi iniciada pelo vereador António Manuel Ribeiro em reunião de 28 de Março de 1962, que lembrando que na avenida Alfredo da Silva tinha sido construído um grande edifício com duas lojas «de bom aspeto e fácil adaptação a uma sala de leitura acolhedora e central onde o público poderia encontrar as obras que a Câmara lhes pusesse à disposição» (Fonte: Atas da CMB,1962).
De destacar que na sua inauguração esteve patente uma exposição pintura, gravura, fotografia e filatelia dos barreirenses Eugénio Silva, Augusto Cabrita, Chagas dos Santos, Orlando Cavaco, Manuel Cabanas e Abílio Sousa.


O serviço de Arquivo Municipal surgiu da necessidade de organizar e tratar as massas documentais produzidas e acumuladas pelo Município, consideradas de valor intermédio e histórico, mas depositadas em vários locais, por não existir um serviço de Arquivo específico.
A organização do fundo documental passou, nos finais do ano 2000, para a guarda do Arquivo Municipal depois de reunida, no mesmo espaço físico, toda a documentação intermédia e histórica existente. Ainda nesse ano, o serviço de Arquivo passa a ser dotado de estrutura e recursos humanos próprios, o que possibilita o início do processo de organização e tratamento da documentação. 

Essencialmente vocacionado para apoio à administração camarária, o trabalho inicial desenvolvido incidiu prioritariamente sobre a documentação intermédia e de maior consulta pelos serviços internos. Posteriormente, e à medida que esta documentação foi sendo tratada, também foi possível proceder ao tratamento e organização física e intelectual da documentação histórica, tal como hoje se apresenta.
    
Hoje, o Fundo Documental da Câmara Municipal do Barreiro está online e apresenta-se aos utilizadores de forma prática e célere. Refira-se que este instrumento de descrição documental, situa as suas balizas temporais entre 1760 e 2015.

Apoio a depósitos e doações 

Entre outros propósitos, é missão do Espaço Memória salvaguardar documentação e objetos significativos para o estudo da história local e que apresentem elevado valor informativo e documental.

Assim sendo, temos vindo a acolher com entusiasmo as doações de coleções particulares, atos que expressam grande generosidade e que permitem reconstituir a memória colecionista dos seus patrocinadores. Aqui agradecemos aos munícipes e entidades coletivas que nos têm feito chegar dados relevantes sobre documentos que, se não forem recuperados e tratados de imediato, desaparecerão com o passar do tempo.

Entre o espólio doado ao Arquivo, através da Câmara Municipal do Barreiro, contam-se a coleção de cartazes e programas de José António Marques, a coleção de postais, calendários e autocolantes políticos de João Rebelo Baptista, inúmeras obras da biblioteca do artista barreirense Manuel Cabanas, assim como, algumas peças ou documentos isolados de vários cidadãos.

Da mesma forma, o Espaço Memória tem sido enriquecido com documentos e obras adquiridas em alfarrabistas e antiquários, fruto de contactos estabelecidos com estes últimos, tendo em vista a salvaguarda de documentação original perdida ou desviada.

As doações, depósitos e aquisições do Espaço Memória do Barreiro deverão privilegiar as obras locais ou de temática local.


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